Humanos, animais e redes de existência: repensando o humanismo na era do Antropoceno
Autores: Diego Vinícius Brito dos Santos; Taisa Maria Brito dos Santos
Resumo
Este ensaio analisa a distinção entre humanos e animais na tradição filosófica ocidental, tomando como ponto de partida o debate contemporâneo conhecido como virada animal nas ciências sociais e humanas. Historicamente, o humanismo moderno fundamentou-se na oposição entre natureza e cultura, atribuindo aos seres humanos capacidades consideradas exclusivas, como racionalidade, linguagem e moralidade. A partir dessa perspectiva, os animais foram frequentemente definidos como entidades naturais e instintivas, funcionando como referência negativa para a definição da humanidade. Contudo, nas últimas décadas, diferentes campos do conhecimento — especialmente a filosofia, a antropologia e a biologia — têm colocado essa divisão em questão. Nesse contexto, o artigo discute as contribuições de autores como Bruno Latour, Donna Haraway, Tim Ingold e Philippe Descola, cujas reflexões problematizam o antropocentrismo moderno e enfatizam as relações de interdependência entre humanos e não humanos. Metodologicamente, o trabalho baseia-se em pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa, envolvendo a análise de textos clássicos da filosofia e de obras contemporâneas relacionadas à virada animal. Argumenta-se que as abordagens recentes apontam para a necessidade de reformular o humanismo em termos relacionais, reconhecendo que humanos e animais participam de redes ecológicas e sociais compartilhadas. Conclui-se que repensar as relações entre humanos e outras espécies constitui um passo fundamental para compreender os desafios éticos, filosóficos e políticos colocados pela crise ambiental contemporânea e pela era do Antropoceno.
Palavras-chave: Humanismo; antropocentrismo; virada animal; relações humano-animal; filosofia contemporânea.
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